Comunicação e educação na sociedade da informação

A sociedade da informação levou a uma profunda transformação da comunicação, cheio de possibilidades, mas também de incertezas. Na última década, a noção de competência linguística evoluiu para a noção de competência semiológica em sentido alargado.

A sociedade da informação levou a uma profunda transformação da comunicação, cheio de possibilidades, mas também de incertezas. Na última década (e em consonância com o desenvolvimento dos meios de comunicação profundamente interativos como a Internet), a noção de competência linguística evoluiu para a noção de competência semiológica em sentido alargado.

Inteligência e linguagens
A inteligência relaciona-se com a utilização da linguagem. Tem algumas ferramentas que permitem a sobrevivência do indivíduo e da espécie, mas em dimensões diferentes. Em poucos anos, as capacidades de inteligência externa, cultural e coletiva têm crescido, e isso afeta a outra dimensão de inteligência, a interna, biológica e individual. Somos testemunhas de uma deslocalização e uma destemporalização na comunicação tradicional, face às novas tecnologias.

Mas há uma consciência para essas mudanças, apesar dos sistemas educacionais ainda serem os tradicionais. Vivemos cercados por imagens e a linguagem torna-se mais híbrida, multiplicam-se os códigos num novo tipo de linguagem.

Numa situação como esta, existe uma redução do objeto, derivado do qual o pensamento se desenvolve através da linguagem, que simplifica todo o processo e se chega a uma conclusão mais diretamente. E existe uma outra redução, a nível dos símbolos e sinais que estão no cérebro. Afirmava-se que apenas as palavras são associados com o pensamento. Isso não é sustentável, segundo o autor do livro, se considerarmos o grande número de não-verbais, imagens e símbolos, que nos invadem constantemente. Também fazem parte do pensamento.

Nesta situação, se queremos fortalecer a conexão entre educação e inteligência, temos que mudar algumas conceções, de acordo com José Tornero:

• Linguagem pode também ser um sistema de símbolos
• A competência comunicativa como "quadro regulamentar que emerge do conjunto de regras que governam a troca verbal."

É difícil saber as consequências de eventuais novos processos cognitivos e esse é um desafio que se lança aos investigadores.

A passagem do séc. XX ao séc. XXI manifestou-se na transformação das relações materiais nas relações virtuais. Enquanto o contato físico predominava na comunicação secundária, no séc. XXI adquire um significado que causa confusão para quem não está familarizado com as novas tecnologias.

O meio de comunicação por excelência é a televisão, audiovisual baseado na linguagem, no qual a cultura de massas surge como o triunfo do marketing sobre a vida cultural. As ofertas de televisão são alargadas, de modo a que a margem de seleção é maior. O espectador não é mais apenas um… que tem agora um meio mais interativo. Pode mudar o conteúdo e o formato do programa, como previsto. O público depende agora de "o aperto global da cadeia", ou seja, a fidelidade é conseguida através da continuação de um sucesso. Finalmente, salientar que os custos de produção crescem significativamente.

Os últimos anos de séc. XX são marcados, especialmente a Internet, pela gestação do processo de multimediatização. É o resultado da integração do sistema clássico de meios com os progressos alcançados com a digitalização da informação. O futuro conduz às redes de fibra ótica, com a integração de satélite e serviços de televisão que levam ao reino da comunicação. E nas famílias também aumenta o consumo individual dos novos media, computadores, DVD, CD ROM ... (em 2007 as pen, ipod, etc., eram apenas ficção científica, mas o passo foi curto…).

Que mudanças com a introdução de novas tecnologias?
O futuro dos materiais educativos para o ensino hiper-mediático tem um caráter, ou seja, estes materiais têm a oportunidade de apresentar o conteúdo educacional, ligando diferentes textos com sinais sonoros diferentes, imagens, etc.

Numa civilização que tem sido dominada pelo texto impresso, estamo-nos a mover para uma civilização híper media, com a ascensão de um novo script que pode usar imagens pela primeira vez na história. Com o computador, estamos a descobrir a escrita da imagem, por isso, a imagem será um dos textos mais poderosos do futuro.

Mas, observa José Tornero, não só devemos falar da imagem do ponto de vista de caixa, mas também sobre as questões mais profundas, que têm a ver com a análise das novas tecnologias de decomposição e recomposição da imagem.

As contradições geradas entre o discurso que não gera meios massivos de inteligência social (mas) e um discurso que é possível agora, mais do que nunca, - os benefícios da nova tecnologia, como internet, etc. – vão conduzir ao fim do poder dos meios de massa, preconiza José Tornero. Os benefícios advêm do facto de hoje haver um campo mais produtivo, onde todos podem ser produtores da sua mensagem e poder jogá-la universalmente.

Notas:
Este texto é uma súmula do Capítulo IV da obra “Comunicação e educação na sociedade da informação. Novas linguagens e consciência crítica”, de José Manuel Perez Tornero, editada pela Porto Editora, 2007
Perez Tornero é Doutor em Comunicação e especialista em comunicação estratégica e televisão educativa. Criou na TVE a Televisão Educativa e realizou vários projetos educacionais e culturais em canais temáticos. Leciona Semiótica e Teoria da Comunicação na Universidade Autónoma de Barcelona.

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