O ar que respiramos nas escolas

A educação tem estado no centro dos debates, com mais ou menos polémica. É natural que suscite tanto interesse, análise, discussão, porque a educação é uma pedra basilar da sociedade.

As nossas preocupações imediatas quanto ao estado atual do ensino leva-nos, no entanto, a relegar para o esquecimento questões que poderão parecer menores mas, nem por isso, de menor importância. Falemos, por exemplo, da saúde da população escolar – alunos, professores, pessoal auxiliar e administrativo.

Os alunos estão em ambiente escolar nunca menos durante oito anos, entre os 7 e os 15 anos de idade, tendo em conta o ensino obrigatório. É um período importante da vida, durante o qual se desenvolvem fisicamente, numa transformação que se deseja saudável e harmoniosa. A escola é, para além da sua função de aprendizagem, um local onde se trabalha, se respira, se vive.

Questões como a saúde ambiental, a nutrição, a segurança e a prevenção de acidentes, incêndios e outras situações de risco, como sismos, não podem ser menosprezadas. Como se aplicam, por exemplo, as normas legais de prevenção e segurança nas escolas?

Na maioria das nossas escolas, exceção feita apenas para algumas construções muito recentes, a sua edificação tinha apenas em conta a distribuição dos espaços e da luz. As questões de gestão do ar não foram tidas em conta. Temos escolas quentes no verão e muito frias no inverno! As salas de aula não têm ventilação e, por consequência, o ar que se respira é de má qualidade, está saturado e propício à transmissão de agentes patológicos nefastos à saúde e a uma necessária oxigenação sanguínea que possibilite um desempenho do cérebro de acordo com o que se exige a um aluno e, aliás, a qualquer pessoa.

Poderá parecer um exagero, mas não é apenas nos hospitais que há riscos de contaminação no ar. E os hospitais são locais de saúde por excelência...

O ar viciado, irrespirável, causa danos imperfectíveis que, mais cedo ou mais tarde, podem provocar alergias ou asma, para além de poderem, embora em menor grau, causar danos irreversíveis na saúde, a nível do desempenho cerebral e no crescimento.

Não é alarmismo. Apenas um alerta para que também se dê atenção, redobrada, às questões de saúde nas nossas escolas.

Coisa tão simples e natural como o ar que respiramos podem, na verdade, não serem tão simples e naturais.

António Amaral

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